sexta-feira, 24 de abril de 2015

The Wizard Of Oz

Um clássico infantil que emociona ainda hoje pessoas de todas as idades. Um musical com, talvez, o tema mais bonito feito para o cinema. Um épico marcante e empolgante.


Tudo isso é este filme de 1939 dirigido por Victor Fleming e baseado no livro "The Wonderful Wizard Of Oz" de L. Frank Baum.

Dorothy é uma ingênua e inocente menina que mora em uma fazenda modesta com os tios. A menina é levada ao reino de Oz por um tornado junto com a sua casa. Chegando lá ela descobre que a casa caiu em cima de uma das bruxas más do reino e por isso é recebida com muita alegria pelo povo do lugar. Apesar de ficar encantada com aquela terra, Dorothy quer retornar para sua casa e para isso embarca em uma grande jornada para pedir ao Maravilhoso Mágico de Oz que a leve de volta.

De forma bastante simples, o filme trata de assuntos como a importância da família, lealdade, coragem e bondade.

O roteiro, embora inspirado no livro, acaba tomando vida própria e as sequências de acontecimentos acabam sendo diferentes entre a versão cinematográfica e a literária. Quem leu o livro provavelmente sentirá falta de vários elementos que foram deixados de fora do filme, muitos deles talvez por falta de uma técnica que pudesse traduzir para a grande tela algumas das coisas maravilhosas da terra de Oz.

Filmado quase que ao mesmo tempo que "Gone With The Wind", conta-se que Fleming usou "The Wizard Of Oz" como um laboratório de efeitos especiais para o citado anteriormente.

Sua trilha sonora é um deleite a parte. "Over the Rainbow" é até hoje um clássico, tanto na versão original quanto nas versões que são feitas ainda hoje e teve um merecido Oscar de melhor canção.

Judy Garland, a protagonista do filme, ganhou um Oscar Juvenil, uma modalidade especial concedida apenas 10 vezes na história da premiação.

O último dos três prêmios que ganhou é o de melhor trilha sonora.

Amo as atuações de Ray Bolger e seu jeito fantástico de dançar e andar como o espantalho e também como ficou verossímil, mesmo sendo com uma fantasia, a interpretação de Bert Lahr logo quando seu personagem de leão covarde é encontrado pelos outros personagens na floresta.

Um deleite para os olhos e ouvidos, esse filme desperta a criança que há em cada um.

A seguir um vídeo de unbox de uma edição que eu adiquiri do filme, comemorativa de 70 anos do clássico:


Ficha técnica resumida:
Título original: "The Wizard Of Oz".
Título no Brasil: "O Mágico de Oz".
Ano: 1939.
Diretor: Victor Fleming.
Música: Herbert Stothart (trilha sonora), Harold Arlen (música das canções), E. Y. Harburg (letras das canções)
Atores principais: Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Bert Lahr, Jack Haley

Minha avaliação:
5 estrelas


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sunrise: A Song of Two Humans

Estranho e bizarro. Não é sobre a música da Pitty. É sobre este filme de 1927:
 

Não sei se pode-se dizer que essa é uma história de amor ou se é um ensaio sobre a mania das pessoas em nunca estarem satisfeitas com suas vidas.

(ESTA PARTE PODE CONTER SPOILER!)
Um marido trai a mulher e, sob influência da amante, decide a matar afogada. No momento em que vai cometer o crime, porém, se arrepende e a partir daí eles vivem um lindo dia de amor juntos. Entenderam o porque do "bizarro"? Além da mulher perdoar o marido, no fim do dia ela acaba se afogando de verdade acidentalmente. Isso faz com que ele perceba o quanto a ama de verdade e acaba terminando tudo com a amante.

Com este roteiro o filme traz cenas de amor do tipo inocente, como passeio em parque e jantar romântico. Algumas cenas cômicas, mas sem pastelão exagerado.

A fotografia é um ponto alto do filme, tanto que recebeu o Oscar por isso. Talvez por ser dirigido pelo alemão F. W. Murnau que é um dos principais nomes do "Expressionismo Alemão" o filme apresenta cenários grandiosos e uma forte expressão corporal dos atores deixando as interpretações altamente teatrais. No filme os personagens não têm nome.

Fiquei decepcionado com a trilha pelo fato da mesma não fazer jus ao subtítulo do filme. Não existe um tema de amor bem apresentado. Soa como fundo e nada mais.

O filme ganhou 3 dos 4 prêmios a que concorria no Oscar de 1929: Melhor fotografia, Melhor Produção Artística e Única (prêmio de valor igual a Melhor Filme e que só foi entregue nesta primeira edição) e Melhor Atriz para Janet Gaynor (que na verdade ganhou o Oscar pela participação em três filmes diferentes). O outro prêmio ao qual concorria e não ganhou foi de Melhor Direção de Arte.

A versão disponível é um DVDRIP com legendas em português de Portugal.

Ficha técnica resumida:
Título original: "Sunrise: A Song of Two Humans".
Título no Brasil: "Aurora".
Ano: 1927.
Diretor: F. W. Murnau.
Música: R.H. Bassett, Carli Elinor, Erno Rapee, Hugo Riesenfeld (não creditados).
Atores principais: George O'Brien, Janet Gaynor, Margaret Livingston.

Minha avaliação:
1 estrela

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Wings

E o primeiro post do blog vem com o primeiro filme a receber o Oscar de melhor filme:

"Wings" (ou "Asas" no Brasil) tinha sido o único filme mudo premiado com o Oscar de melhor filme até "The Artist" de 2012. Quando foi feita a premiação em 1929 o cinema estava dando os primeiros passos com relação aos filmes com diálogos em áudio.

(ESTA PARTE PODE CONTER SPOILER!)
O filme se passa durante a primeira guerra mundial e fala sobre dois rivais, Jack e David, que se tornam amigos e que amam a mesma mulher, Sylvia (que aparece pouquíssimo). Clara Bow faz o papel de Mary que ama Jack e dá um jeito de ir pra guerra só pra ficar perto do seu amado.

A roteiro tem partes boas mas também traz momentos ruins, como o exagero de comédia tipo "pastelão" nas cenas no cabaré em Paris, principalmente na hora em que Jack fica "viajando" nas bolhas. Na verdade o filme é bem monótono na sua primeira hora, e fica mais divertido de assistir após o intervalo, incluído no meio do filme como era costume antigamente. A partir daí ele segue uma linha mais dramática que chega a emocionar até no final. A batalha final realmente é grandiosa e dá a impressão ás vezes de que são imagens de documentário.

As cenas de vôo são ousadas e quando eu assisti fiquei impressionado com a forma de captura de imagens para a época e até pensei no perigo que deve ter sido ao se filmarem certas tomadas. Fiquei sabendo depois que houveram dois acidentes graves durante as gravações, um com a morte de um piloto profissional. Os dois atores principais realmente pilotaram os "teco-tecos" em algumas cenas o que favoreceu o realismo de algumas tomadas. Provavelmente por causa dessa parte dos vôos é que o filme tenha ganho o prêmio de melhor filme.

Sobre a parte técnica, é impossível não fazer uma comparação com "Metropolis", filme alemão do mesmo ano e que estava anos a frente em efeitos visuais. Os efeitos usados em "Wings" são bem simples e funcionam melhor também na segunda parte do filme que parece ter sido a parte em que foi investido mais dinheiro. Mas se o Oscar contemplasse filmes internacionais na época, "Metropolis" seria o campeão na categoria Best Engineering Effects (algo como Melhor Engenharia de Efeitos em português) que "Wings" também ganhou e só existiu naquele ano.

A fotografia tem bons momentos, nas tomadas nas ruas em Paris e da batalha final. Além de algumas sacadas boas como a câmera no balanço no começo do filme. É utilizado o tom sépia em parte das cenas, o que ajuda no clima do filme. O fogo nos aviões foi pintado a mão na película, por isso ele fica com cor nas cenas.

A trilha sonora acompanha bem o filme, mas não é uma daquelas que fica na cabeça depois que o filme acaba. Serve de fundo apenas. E não dá sono como algumas trilhas de filme mudo geralmente dá.

Existe no filme algumas cenas polêmicas e "avançadinhas" para a época. Na primeira parte do filme aparecem alguns jovens nus de costas na cena do recrutamento do exército. Na parte em Paris, em um momento é exibido os seios de Clara Bow. E no final do filme há uma cena de beijo (fraterno) entre os dois personagens principais. Este filme foi feito antes de ser feita uma lista de coisas que não podiam e coisas que deviam ser evitadas em filmes pela Motion Picture Association of America. Isso me dá a impressão que o falso moralismo vem crescendo com o tempo e não diminuindo... Mas isso é assunto pra outro blog.

Wings recebeu dois prêmios da academia no total, nas duas categorias que concorreu. Há quem diga que o verdadeiro vencedor daquele ano foi "Sunrise: A Song of Two Humans" que recebeu o prêmio Unique and Artistic Production (Produção Artística e Única) que também era considerado como melhor filme na época e que só foi dado naquele ano.

A versão que eu disponibilizo aqui é uma restauração de 2012, com legendas em português de Portugal. Assim como "Metropolis", "Wings" também teve seus negativos e primeiras cópias perdidos e foi encontrada uma cópia anos depois na França, em cima da qual foi feita a restauração.


Ficha técnica resumida:
Título original: "Wings".
Título no Brasil: "Asas".
Ano: 1927.
Diretor: William A. Wellman.
Música: J.S. Zamecnik (não creditado).
Atores principais: Clara Bow, Charles "Buddy" Rogers, Richard Arlen, Gary Cooper.

Minha avaliação:
2 estrelas